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16 de dezembro de 2011

Uma Dança Diferente

 
Põe as sapatilhas no pé, se levanta com o olhar baixo e respira o mais fundo que pode. Vagarosamente levanta os olhos e observa tudo ao redor. Olha para sua velha e gasta sapatilha, deslizando-a a frente, ao lado. Move discretamente o indicador. Posiciona uma das mãos e eleva delicadamente o braço. Não sabe como começar, só sabe o quanto ama dançar. A perfeita técnica passa a milhas de distância de sua realidade, mas, ainda assim, há algo diferente em cada movimento, algo que gera e desperta interesse àqueles que a assistem. Passos quase imperceptíveis iniciam aquele intenso momento de entrega, de paixão. Delicadeza e leveza preparam seu corpo ao que há de acontecer. No exato momento em que esquece o que há em volta e ignora suas limitações... o impossível se torna visível, nitidamente contemplável. Não há quem diga que não estudou durante toda sua vida. Pernas altas, giros triplos ou complexidade não fazem parte de sua coreografia, mas a espontaneidade, criatividade e sinceridade transparecem o que há em seu interior. Se expressa de uma forma intensa, não exagerada, mas suficiente para contar a história que quiser. Rosto marcante, olhar expressivo, sorriso singelo. Parece guerrear enquanto dança, parece bradar enquanto salta. Fala sem abrir os lábios, o único som que se pode ouvir é o balançar de seus cabelos. Como se, em cada articulação, uma frase fosse escrita ao vento. Giros que espantam o medo, movimentos que afugentam o mal. O seu melhor é entregue enquanto há apenas Um espectador, é somente à Ele que anseia agradar. Elogios não são necessários para que se sinta motivada ou satisfeita, mas saber que O fez sorrir e receber tamanha adoração. Lágrimas e suor são seu troféu. Lágrimas de superação, de paixão. Suor de seu próprio esforço, dedicação. E Ele ama a ver dançar. Muitas vezes nem se moveu, pôs as velhas sapatilhas e caiu sobre os joelhos; essa tem sido sua mais bela dança. O mover do seu coração, o deixar pulsar em mesmo ritmo que de seu Amado. Entrega de alma, de espírito... entrega de corpo, quando se permite criar movimentos até o esgotar de toda a força que possa haver dentro de si. Sua declaração é em silêncio, as tais palavras escritas ao vento... não pára de dançar, não pára de falar.

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