As artes parecem pulsar dentro de mim! Quanto mais eu estudo, mais eu quero aprender. Uma foto me faz imaginar o movimento realizado enquanto era eternizado; já um texto, me instiga a querer entender a evolução da técnica que alcançou quase a perfeição; quanto a um vídeo... ah, um vídeo. Filmes, espetáculos ou qualquer outra forma de movimento que flua pelo meu led... esses me fazem dançar. Apenas sorrio, mas sinto minha alma alegre dentro de mim. Depois de tanto absorver desse infinito mundo da dança, o sorriso antecede a discreta lágrima que escorre pelo meu rosto e me sinto, então, recarregada, motivada, ansiosa para criar, para me expressar, sem usar uma palavra sequer. O balanço das folhas na árvore que se move ao vento, depois deste sentido aguçado, enxergo uma bela coreografia espontaneamente criada pela própria natureza. A beleza das cores, dos cheiros, dos gostos, textura, melodias. A leveza da folha que cai, a velocidade dum beija-flor ou a força de um velho carvalho, tudo isso se torna arte. Mais que uma criação de Deus, toda a natureza O louva constantemente. Apenas olhe, pare e observe. Esqueça o tic-tac do relógio, o semáforo que abre e fecha, as buzinas, celulares... Olhe em volta e veja que o mundo dança, ouça o som que flui de cada movimento. Mais que um vaivém, uma expressão de adoração nos mais discretos lugares. Largo minha bolsa, arranco meus sapatos, sinto o vento me envolvendo e me esqueço do que estava indo fazer, de qual problema ia agora resolver. Força, leveza, equilíbrio, descentralizo... Cresço e caio, rolo e salto, giro e observo... Contração, alongar, core, esterno... Os movimentos nunca cessam. Não preciso da música, preciso apenas que essa paixão não se esfrie, que esse desejo que arde em mim permaneça a me dar o fôlego da alegria. Não preciso da linearidade, simetria ou delicadeza de uma intocável bailarina, apenas crio. Coreografo junto aos pássaros, balanço junto às flores, surpreendo como a maré. E então sigo novamente às filas, a correria, a minha rotina... Coisas essas que não me permitem parar, mas não me impedirão também de dançar!

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