Um dos momentos mais difíceis de sua vida, ao menos até aqui. Falar sobre o erro dói, mas é esta uma
dor necessária, traz cura, cicatriza. Expor fraquezas pode não ser
agradável, apenas não se acovarde em citá-las. Entra em seu quarto após longo e
importante diálogo e... chora. Lágrimas dançam insistentemente por seu rosto,
senta em sua cama e apoia o rosto sobre as mãos encharcadas de arrependimento.
Delicadas lágrimas destroem correntes, arrombam prisões e ressuscitam sua
verdadeira essência. Põe-se em pé e inicia seu mais belo desabafo, - novamente - dança. Não se cansa de repetir tal cena, é nesta que consegue ser o mais
sincera que pode. Dança aos prantos, dança e brada por cura, dança e escreve
sua oração em cada singular passo. O que sente tem queimado, rasgado seu
peito. Mais difícil que assumir o erro foi reconhecê-lo como tal, mas – agora
que seus olhos foram abertos – retorna ao início de tudo e, sem hipocrisia
alguma, se derrama em adoração. Purifica
meus olhos e meus olhares; minha boca e minhas palavras; meus ouvidos e
entendimento. Purifica meu coração e, nele, meus sentimentos.
